O próximo passo na representação política feminina

17 de fevereiro de 2025

Cotas de gênero no Parlamento

Oiê, como está? Ana Carolina aqui, chegando com uma conversa que parecia distante, mas pode tomar conta do Congresso Nacional antes do meio do ano: a reserva de vagas para mulheres na Câmara, Senado, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais pelo Brasil. Essa é uma das 55 propostas que a Bancada Feminina da Câmara dos Deputados considera prioritária para o ano legislativo que começa. 

O debate é antigo nos movimentos de mulheres na política, mas ganhou destaque na última reunião do P20, cúpula de presidentes dos parlamentos do G20, em novembro do ano passado. A Declaração Conjunta do encontro ressaltou a demanda por mais participação feminina nos espaços institucionais de deliberação política. 

Atualmente, tramitam no Senado três propostas legislativas nesse sentido. O PLP 112/2021 (Novo Código Eleitoral) reserva 20% das vagas legislativas para mulheres, mas está parado desde 2021, quando chegou à Casa após aprovação na Câmara. O  PL 763/2021, que aumenta essa reserva para 30%, aguarda designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) do Senado desde agosto de 2024. Por último, o PL 1246/2021, que cria a cota mínima de 30% de mulheres nos conselhos de administração de empresas públicas, aguarda votação no Plenário do Senado há 6 meses.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as mulheres ocupam 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados, e 12% das do Senado. Nos legislativos municipais, a média de ocupação feminina é de 16%, e nos estaduais, de 18%. Para avaliar melhor a situação, é importante lembrar que mulheres são 51,5% da população brasileira e 53% do eleitorado.

Como é em outros países

Apenas 28 (22,6%) dos 124 países analisados em pesquisa reservam vagas parlamentares para mulheres, se consideradas as Câmaras Baixas (de Deputados) e os parlamentos unicamerais (sem Senado). Os dados são do Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA). Um deles é Ruanda, que reserva 30% das cadeiras para mulheres, alcançando quase 60% de representação feminina na Câmara. 

A Índia reserva um terço das cadeiras de órgãos locais para mulheres desde 1993, e em 2023 aprovou a emenda constitucional "Nari Shakti Vandan Adhiniyam", que estende a medida às cadeiras na Lok Sabha (Câmara Baixa). Já a Constituição do Paquistão reserva 60 assentos para mulheres na Assembleia Nacional, preenchidos por representação proporcional pelos partidos políticos, além das cadeiras ocupadas por eleição direta.

Também há propostas sobre combate à violência, acesso à educação, além do orçamento sensível a gênero, que o grupo considera transversal. A coordenadora da bancada, deputada Benedita da Silva (PT/RJ) afirmou que uma das demandas primordiais é a existência de um orçamento específico carimbado para Secretaria da Mulher na Câmara, que há 12 anos atua na defesa dos direitos de meninas e mulheres, mas até hoje não tem recursos garantidos.

Nos próximos dias, a lista da Bancada Feminina deve ser apresentada ao novo presidente da Câmara, o deputado federal Hugo Mota, para uma negociação de aprovação até 8 de março, Dia Internacional da Mulher, seguindo uma tradição da Casa. 

Não há garantias de que essa luta será encampada pela maioria na Câmara e no Senado. Por isso mesmo, precisamos acompanhar esse processo de perto, espalhar informação confiável e atrair atenção para o tema. Espero poder contar com você para enviar essa news para alguém que ainda não sabe desse movimento, combinado?

 Mudar o mundo é possível, mas precisamos de ajuda. Aqui n’AzMina, somos mais de 20 mulheres dedicadas ao fim da desigualdade de gênero. Faça parte disso apoiando nossa campanha no Catarse. 

Um abraço esperançoso,

Ana Carolina Araújo

Gerente de projetos e jornalismo de dados n'AzMina

Radar da Câmara

Saúde. Aprovado pela Câmara o PL 5688/2023, dos deputados Laura Carneiro (PSD/RJ) e Weliton Prado (SOLIDARIEDADE), que institui a Política Nacional de Diagnóstico e Combate do Papilomavírus Humano (HPV) através do teste molecular PCR HPV DNA.

A deputada Ana Paula Lima (PT/SC) apresentou o PL 465/2025, sobre a realização de exames de mamografia e citologia do colo do útero em mulheres com deficiência.

Parto e maternidade. O PL 460/2025, apresentado pelo deputado Fred Linhares (REPUBLICANOS/DF), garante o direito das parturientes de natimorto a terem ala de internação separada das demais, sendo assistidas por assistentes sociais e psicólogos até a fase final do puerpério, nos serviços de saúde público e privado que integram o Sistema Único de Saúde (SUS).

Violência contra a mulher. O PL 346/2025, da deputada Lêda Borges (PSDB/GO), tipifica o crime de violação do sigilo do nome da mulher, ou conteúdo do processo de medida protetiva de urgência, ou outro processo, praticado no contexto de violência doméstica e familiar.

Feminicídio. O PL 403/2025, apresentado pelo deputado Augusto Puppio (MDB/AP), assegura acompanhamento psicossocial a criança e adolescente, filho, enteado e coabitante de vítimas de feminicídio tentado ou consumado.

Proteção de meninas. O PL 369/2025, apresentado pelo deputado Eriberto Medeiros (PSB/PE), institui mecanismos para a prevenção e o enfrentamento da violência, abuso ou exploração sexual contra a criança e o adolescente no ambiente digital.

Dignidade sexual. O PL 361/2025, apresentado pela deputada Chris Tonietto (PL/RJ), modifica as penas dos crimes de estupro e de estupro de vulnerável.

Antiaborto. O delegado Fabio Costa (PP/AL) apresentou o PDL 79/2025 para sustar a Resolução 258/2024, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). O texto do Conanda garante a Interrupção Legal da Gestação (aborto legal) nos casos previstos em lei, com prioridade absoluta para crianças e adolescentes. Falamos disso na edição da última semana, por um PDL semelhante ao proposto pelo deputado Delegado Palumbo (MDB/SP).

Para ficar de olho essa semana

Maternidade. O Plenário da Câmara vota nesta terça-feira (18/02) no PL 3124/2023, do deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS), que institui diretrizes, estratégias e ações para o Programa de Atenção e Orientação às Mães Atípicas “Cuidando de Quem Cuida” e institui os Centros Especializados de Proteção Especial às Mães Atípicas.

Violência contra a mulher. O Plenário da Câmara, também nesta terça-feira (18/02), vota no PL 4381/2023, da deputada Célia Xakriabá (PSOL/MG), que regulamenta procedimentos a serem adotados pelas delegacias de polícia e demais órgãos responsáveis para o atendimento de mulheres indígenas vítimas de violências, nas hipóteses de medidas protetivas de urgência.

Violência política de gênero. O Plenário da Câmara vota nesta terça-feira (18/02) no PL 3821/2024, da deputada Amanda Gentil (PP/MA), para tipificar o crime de manipulação digital de imagens por inteligência artificial, e agravar a pena em casos de crimes contra mulheres e candidaturas em período eleitoral.

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