As mulheres que lutam contra prisões injustas
18 de junho de 2021
“Presa com ele lá dentro”
Essa semana publiquei minha primeira reportagem aqui na Revista AzMina. Na matéria, escrevi sobre as mulheres que mobilizam a vida para comprovar a inocência de parentes presos injustamente. A ideia de falar sobre o tema surgiu porque também tive minha história atravessada por isso quando recebi a notícia que meu tio paterno tinha sido preso na esquina de casa, acusado de tráfico, depois de quase um mês de ter saído da cadeira de rodas e conseguir andar de muletas até a esquina.

Apesar do cárcere atravessar a vida de boa parte das famílias negras, a primeira vez que parei para pensar nas prisões foi só no ensino médio, quando estudei na Etec Parque da Juventude, construída no lugar do antigo presídio do Carandiru. Lá, me interessei tanto pelo tema que escolhi fazer ciências sociais para estudar as prisões no Brasil e comecei a me aproximar de alguns movimentos abolicionistas penais.

Dentro deles, conheci muitas mulheres que estavam tendo sua vida afetada pelo encarceramento sem nem imaginar que um dia eu seria uma delas, assim como a maioria das mulheres da minha família que também tiveram sua vida desconfigurada depois da prisão do meu tio, principalmente a minha avó, que sempre diz que “está presa com ele lá dentro”.

Discutir sobre esse tema é importante porque o encarceramento e as prisões arbitrárias no Brasil (que não são poucas) fazem com que muitas mulheres fiquem “presas com seus entes lá dentro”, seja financeiramente, emocionalmente ou judicialmente. Elas passam a se mobilizar para conseguir comprovar, às vezes sem ajuda (e nesses casos, saber o que fazer imediatamente é essencial), a inocência de alguém que foi tirado do seu convívio por um crime que nem cometeu.

Aymê Brito
Estagiária da Revista AzMina
Para entender melhor as prisões injustas
Aconteceu com alguém que você conhece? AzMina preparou um guia explicando os direitos e os caminhos que podem ser usados para ajudar a libertar uma pessoa que foi vítima de incriminação com criação de evidências falsas. Teve algum familiar ou conhecido preso injustamente? Dá uma olhada no que pode ser feito. 

Para acompanhar. A Ponte Jornalismo é um veículo de jornalismo independente que faz cobertura de segurança pública e, há anos, denuncia casos de prisões injustas. Vale à pena acompanhar sua cobertura que tem ajudado muitas pessoas a conquistarem sua liberdade.

Para ouvir e ler. Esta semana a Folha publicou uma reportagem que analisou 100 casos de prisões de inocentes, identificando os problemas mais comuns que levam a estas prisões. O trabalho pode ser ouvido no podcast Café da Manhã e também lido na reportagem.

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Esta semana…
Pandemia do preconceito.  “Sendo o IMC superior a 40 a única exigência para a vacinação pelo SUS, uma balança e uma fita métrica no próprio local de aplicação da vacina bastariam. No entanto, exige-se das pessoas gordas um laudo médico que constate a condição. Foi preciso superar o trauma gerado por anos de violência em clínicas e consultórios, reconhecer o privilégio que é ter acesso ao atendimento médico nos dias de hoje e ir em busca do tal laudo, mas isso não foi suficiente para muitas pessoas gordas; esta autora inclusa”, escreve Agnes Arruda. Leia a coluna.

Morte materna na pandemia sem acesso a UTI. Desde o início da pandemia, uma a cada cinco gestantes e puérperas que faleceram por SARS-CoV-2 não teve acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e 33% não foram intubadas - o derradeiro recurso terapêutico que poderia salvá-las. Até 17 de junho de 2021, perderam a vida 1.412 gestantes e puérperas pela doença, segundo dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Brasileiro COVID-19.

Abstinência Sexual. Na tarde de ontem, a Câmara Municipal de São Paulo adiou a votação do Projeto de Lei que cria um programa que defende a abstinência sexual como contracepção para adolescentes. Os vereadores não conseguiram chegar a um acordo sobre mudanças no projeto e a votação foi adiada para a próxima semana. Grupos feministas se manifestaram na frente da Câmara contra o projeto. Aqui n’AzMina, a gente já explicou como funciona a educação sexual e porque ela é importante. (Via G1)

Kathleen e a produção de mortes pela polícia. Kathlen Romeu é a mais nova face da banalidade com a qual as mortes são produzidas pelas polícias brasileiras. Em média, 17 civis são mortos por dia em ações policiais no país; número que indica abuso da força, conforme apontam pesquisas. (Via Catarinas)

Assassinato de mulher trans é feminicídio. Em decisão rara, a Justiça condenou o assassino de mulher trans por feminicídio. O julgamento considerou que Jonatas Santos praticou feminicídio com emprego de meio cruel que dificultou a defesa da vítima, e determinou 16 anos de prisão; Larissa Rodrigues, 21, foi morta a pauladas na zona sul de SP, em maio de 2019. (Via Ponte)

LGBTIfobia no Brasil. Em 2019, o STF reconheceu a LGBTfobia como crime de racismo, mas a decisão ainda não produziu todos os seus efeitos desejados. Passados dois anos da decisão, é possível dizer que a criminalização da LGBTIfobia no Brasil ainda não é uma realidade. As dificuldades de efetivar as denúncias se somam à resistência das
forças de segurança pública e do sistema judicial em reconhecer e aplicar a decisão, mostra a  pesquisa LGBTIfobia no Brasil: barreiras para o reconhecimento institucional da criminalização, realizada pela  All Out e coordenada pelo Instituto Matizes.

Não alimente os trolls. Em razão do impacto de suas escolhas de comunicação, a forma como jornalistas e influenciadores reagem, respondem e reportam ataques online é central para minimizar danos e evitar a amplificação de narrativas violentas e extremistas ou de comportamentos trolls.  No documento “Falando sobre ataques online e trolls: um guia para jornalistas e criadores de conteúdo na internet”, o InternetLab e o Redes Cordiais chamam a atenção de jornalistas, influenciadores e produtores de conteúdos em redes sociais para as escolhas que eles têm em suas mãos. Para isso, buscou-se ponderar o que pode estar em jogo diante de ataques online de trolls e oferecer ferramentas para que decisões responsáveis possam ser tomadas.  (Via InternetLab)

 
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