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20 de novembro de 2020 Quando o Brasil vai ter consciência negra? O Brasil é o país em que você acorda no Dia da Consciência Negra com a notícia de que um homem negro foi linchado e morto por dois seguranças brancos de um supermercado e uma candidata negra foi vítima de feminicídio. Eu queria ter apenas um dia de descanso, postar minha cara linda de mulher negra nas redes sociais, escrever essa newsletter para exaltar os nossos, ligar pro meu pai preto e bater um papinho qualquer. Mas não vai ser possível. Porque na véspera da Consciência Negra Leila Arruda, candidata a prefeita de Curralinho (Pará), foi morta pelo ex-marido. E João Alberto Silveira Freitas foi linchado como todos os ancestrais de mais da metade da população brasileira foram espancados nesse país. E no dia que seria de descanso e relaxamento, eu tô chorando a morte que poderia ser das minhas companheiras de vida e militância de mulheres negras, do meu pai, do meu irmão. E a pergunta que eu me faço é: quando o Brasil vai finalmente ter consciência negra? Eu falo Brasil, do qual todos nós fazemos parte, porque ter consciência de que nosso país é majoritariamente negro e o que isso significa em termos de quem vive e quem morre não é uma questão “só” dos negros, é uma questão de país enquanto coletivo. É uma questão minha enquanto mulher negra e deveria ser sua também se você for uma mulher branca. Eu não estou aqui chamando as pessoas brancas para a responsabilização no individual, mas para a responsabilização no coletivo mesmo - aqui não cabe culpa, porque ela não gera mudanças. Se são as pessoas brancas que hoje estão nas posições de poder (político, econômico e social), você pode fazer parte de mudanças sistêmicas. Hoje o que eu peço é que você participe sim das mobilizações nas ruas e nas redes sociais pedindo responsabilização do Carrefour por mais essa morte (lembrando que essa empresa é reincidente em mortes dentro de suas unidades). Que fale sobre isso com a sua família e amigos. Mas a resistência e o combate precisam se estender para os outros 364 dias do ano. Sim, não consuma de empresas e estabelecimentos racistas para os quais vidas negras não importam. Promova esse debate onde você trabalha, estuda e espaços que frequenta. E daqui uma semana, se sua cidade tiver segundo turno, vote em candidatos que se comprometam com políticas antirracistas. A política identitária da branquitude e do patriarcado já retira todos os dias negros e mulheres dos espaços de poder. Arrancou a vida de Marielle e da Leila. Hoje choramos mortes e vou respeitar e viver essa dor. Mas sei que nossos passos vêm de longe e que não andamos só. Vamos juntas. Um beijo, Thais Folego Editora-chefe da Revista AzMina Vem nos visitar Convite. Convido vocês a dar uma espiadinha na página principal do site d'AzMina hoje. Nesse dia da Consciência Negra a gente destacou reportagens, colunas e Divãs que celebram a vida e feitos das mulheres negras desse Brasilzão. Tá potente! Relato. Destaco o relato de Sanara Santos, mana jornalista, negra e trans, que conta da sua trajetória de dores e potências. E de como descobriu recentemente que é portadora de HIV. Confira no Divã d’AzMina. Resistência. E um respiro em meio ao caos é sempre o texto amoroso das colunas da Júlia de Miranda. “Nos tornamos oposição absoluta ao que o projeto colonial predeterminou ao escolher abraçar, com cuidado e sensibilidade, nós mesmas. Mulheres negras que mesmo com um passado enraizado na dor, se levantam!”. Leia a coluna. Sem feminismo, não há democracia Ontem lançamos a campanha “Sem feminismo, não há democracia”. Acreditamos que a força da luta das mulheres é essencial não só para defender as nossas vidas, mas para levar adiante qualquer projeto que se se pretenda democrático, antirracista e justo. Onde avançamos Representatividade nas urnas. No último domingo vimos algo bom acontecer: o número de mulheres trans eleitas foi praticamente quatro vezes maior do que em 2016. Segundo a Associação Nacional de Transexuais e Travestis, foram 30 candidaturas trans eleitas, sendo que sete foram as mais votadas em suas cidades. Um indício que nesse Brasil também cresce o respeito. (Via Gênero e Número) Aborto na Argentina. E logo aqui do lado vemos um exemplo para inspirar nossa luta por direitos. O presidente argentino Alberto Fernández enviou ao Congresso um projeto de lei para descriminalizar o aborto no país. "A legalização do aborto salva a vida de mulheres e preserva suas capacidades reprodutivas, muitas vezes afetadas por esses abortos inseguros", disse. (Via G1) |
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